
Metaesquema: O que a obra de Hélio Oiticica representa?
A série Metaesquema, criada entre 1957 e 1958, marca uma fase decisiva na trajetória de Hélio Oiticica. Embora à primeira vista possa parecer uma simples composição geométrica, essa obra vai muito além de uma experimentação formal. De fato, ela representa uma ruptura com os modelos rígidos do concretismo brasileiro e antecipa movimentos artísticos que valorizam a participação e a liberdade criativa.
A geometria em movimento em Metaesquema
Os Metaesquemas são compostos por formas retangulares ou quadradas, geralmente pintadas em cores vibrantes, como o azul profundo da imagem apresentada. No entanto, o que diferencia essa obra de outras composições geométricas é a sensação de instabilidade. Ao invés de seguir uma organização simétrica e previsível, Oiticica distribui as formas de maneira assimétrica, provocando no observador uma percepção de movimento e desequilíbrio.
Assim, mesmo trabalhando com figuras estáticas, o artista cria uma tensão visual que desafia a rigidez da arte concreta. Com isso, ele aponta para novas possibilidades expressivas dentro da abstração.
Transição entre o concreto e o sensível
Embora esteja ligada ao concretismo, a série Metaesquema já indica uma vontade de ir além das regras. Hélio Oiticica, nessa fase, começa a se afastar da ideia de que a arte deve seguir uma lógica puramente racional. Em vez disso, ele busca uma experiência mais intuitiva e sensorial, tanto para o artista quanto para o público.
Consequentemente, podemos ver nos Metaesquemas o embrião de conceitos que seriam fundamentais em sua obra posterior, como a interação, a subjetividade e o espaço.
Um convite à liberdade visual em Metaesquema
Em resumo, a série Metaesquema representa uma transição fundamental na arte brasileira. Por meio dela, Oiticica questiona a ordem estabelecida e abre espaço para uma arte mais livre, dinâmica e experimental. Ainda que utilize elementos simples, como retângulos azuis sobre fundo branco, a obra provoca reflexões profundas sobre forma, equilíbrio e percepção.
Portanto, Metaesquema não é apenas uma obra visualmente intrigante — é também um marco na busca por uma linguagem artística mais autêntica e sensível.